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Assumir a responsabilidade por uma equipe pode trazer uma dúvida difícil de admitir: será que eu consigo liderar?
Durante muito tempo, eu carreguei uma percepção limitada sobre a minha capacidade de exercer esse papel. Acreditava que me faltava algo que outras pessoas já possuíam desde o nascimento. Com a experiência, o estudo e o desenvolvimento, fui percebendo que poderia construir habilidades que antes imaginava estarem fora do meu alcance.
Compartilhei essa reflexão na conversa com Nádia Pedrosa, no podcast Decisões que Constroem. Ao discutirmos liderança humanizada, chegamos a um ponto que considero fundamental: a crença de incapacidade precisa ser examinada. Ela pode estar transformando uma dificuldade que podemos trabalhar em uma conclusão definitiva sobre quem somos.
Quando a dificuldade vira uma definição sobre nós
Existe uma diferença importante entre reconhecer que ainda precisamos aprender e acreditar que jamais seremos capazes.
Ao reconhecer uma dificuldade específica, podemos buscar orientação e praticar. Quando tratamos essa dificuldade como uma característica permanente, reduzimos nossas possibilidades antes mesmo de experimentar.
Na minha trajetória à frente da Plano Consultoria e Projetos e na docência, fui reconhecendo capacidades que a minha percepção anterior não permitia enxergar. Esse desenvolvimento continua. Cada responsabilidade apresenta situações novas e mostra aspectos que ainda preciso trabalhar.
Durante o episódio, relacionei esse processo à ideia de mentalidade de crescimento, mencionada no livro Mindset. A reflexão foi sobre a possibilidade de ampliar capacidades por meio do estudo, do esforço e da prática.
Para quem se sente incapaz de liderar, essa perspectiva permite formular uma pergunta mais útil: o que preciso aprender para exercer melhor essa responsabilidade?
Liderança se desenvolve em comportamentos concretos
Nádia apresentou a liderança como uma habilidade treinável. Entre os caminhos de desenvolvimento, mencionou ouvir os liderados, ler, observar bons líderes e buscar mentoria.
Essa aprendizagem fica mais clara quando olhamos para comportamentos específicos. Escutar uma dificuldade, explicar uma expectativa, conduzir uma reunião e oferecer uma correção são ações que podem ser observadas e aprimoradas.
Uma pessoa pode ter facilidade para organizar o trabalho e precisar desenvolver sua maneira de dar feedback. Outra pode construir boas relações e encontrar dificuldade para enfrentar uma conversa sobre desempenho.
Identificar essas necessidades ajuda a organizar o desenvolvimento. É possível escolher um comportamento, praticá-lo e avaliar seus efeitos, sem exigir de si uma transformação completa e imediata.
A equipe pode revelar o que o líder ainda não percebeu
Um dos relatos de Nádia mostra como o feedback contribui para esse aprendizado.
Quando gerenciava uma equipe de 15 pessoas, ela realizava avaliações anônimas semestrais sobre a própria liderança. Pedia pontos fortes, oportunidades de melhoria e comentários. Em uma dessas avaliações, recebeu uma observação que contrariava sua percepção: a equipe precisava que ela escutasse mais.
Ela acreditava que já ouvia as pessoas suficientemente. A avaliação mostrou que a experiência da equipe era diferente.
Essa distância entre intenção e percepção merece atenção. Podemos acreditar que estamos disponíveis e que nossas orientações são claras, enquanto as pessoas que trabalham conosco continuam encontrando dificuldades para serem ouvidas ou compreender o que esperamos delas.
Ao perguntar sobre o feedback do liderado para o líder, quis trazer essa reciprocidade para a conversa. Quem orienta e avalia também precisa criar condições para receber críticas e reconhecer oportunidades de melhoria.
Nádia acrescentou que esse retorno deve gerar um plano de ação. Se a equipe pede mais escuta, é preciso examinar como as reuniões acontecem, quanto espaço existe para perguntas e como as dificuldades relatadas são tratadas. A aprendizagem aparece nos ajustes que fazemos depois de ouvir.
Aprender com as pessoas também faz parte de liderar
Na docência, essa relação fica evidente. Durante o episódio, destaquei que o professor ajusta sua metodologia conforme a turma e que a construção do conhecimento envolve professor e aluno.
Ensinar exige perceber como o outro está compreendendo, onde encontra dificuldades e quais mudanças podem ajudá-lo a avançar. Essa atenção ao contexto também é necessária na liderança.
Nádia discutiu como a maturidade da equipe e a urgência de uma situação influenciam a condução. Aprender a liderar inclui desenvolver discernimento para orientar mais de perto quando necessário e ampliar a participação quando existem condições para isso.
O cuidado com as pessoas precisa acompanhar essas escolhas. Na conversa, ela ressaltou que um líder humanizado também deve ser firme, oferecer feedback e enfrentar conversas difíceis. Ensinar, corrigir e estabelecer expectativas integram a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento de alguém.
Como começar a desenvolver essa capacidade
Para quem ainda se sente inseguro, um início possível é escolher uma situação real que precisa melhorar. Pode ser a próxima reunião, uma orientação pouco compreendida ou uma conversa de feedback que vem sendo adiada.
A partir das reflexões do episódio, proponho um caminho simples:
- Identifique uma habilidade específica. Observe em qual situação sua dificuldade aparece e o que você gostaria de conduzir melhor.
- Busque uma referência. Recorra a uma leitura, à observação de alguém experiente ou a uma mentoria.
- Prepare e pratique. Aplique o aprendizado em uma situação concreta, com atenção às pessoas envolvidas.
- Peça um retorno específico. Procure entender o que ficou claro, o que ajudou e onde ainda houve dificuldade.
- Defina o próximo ajuste. Transforme esse retorno em uma mudança que possa ser praticada novamente.
Esse percurso exige disposição para lidar com desconfortos. Reconhecer uma falha, ouvir uma crítica e assumir uma conversa difícil fazem parte do desenvolvimento.
A insegurança pode indicar uma necessidade de preparação, orientação ou experiência. Compreender essa necessidade permite agir sobre ela.
Uma capacidade construída ao longo do caminho
A minha trajetória me ajudou a perceber que eu podia desenvolver habilidades que antes considerava distantes. Essa descoberta continua me acompanhando como empresário e professor.
Construir uma liderança passa por decisões cotidianas: ouvir com atenção, buscar orientação, aceitar uma crítica e praticar um comportamento melhor. A confiança pode se fortalecer à medida que reconhecemos o que já aprendemos e assumimos o que ainda precisamos desenvolver.
Para quem se pergunta se é capaz de liderar, essas escolhas oferecem um começo concreto. A disposição de aprender ganha valor quando se transforma em responsabilidade com as pessoas e em ações que ajudam a equipe a avançar.
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Este artigo nasceu da minha conversa com Nádia Pedrosa sobre liderança humanizada no Decisões que Constroem. No episódio, também discutimos confiança, feedback, pressão no trabalho e o impacto da liderança na vida das pessoas.
Conheça o canal do Decisões que Constroem. Se esse tema faz parte dos seus desafios, inscreva-se e compartilhe nos comentários qual habilidade de liderança você está buscando desenvolver.