Uma carreira também é uma construção
Da Escola Técnica à engenharia, dos projetos à gestão: as escolhas e aprendizados que construíram uma carreira dedicada a soluções possíveis para as pessoas.
Por Arnaldo Almeida

Imagem ilustrativa
Nem toda decisão que transforma nossa vida começa como primeira escolha.
Quando olho para minha trajetória na engenharia, percebo que ela foi construída por uma sequência de decisões, oportunidades, dificuldades e aprendizados. Algumas escolhas foram conscientes. Outras surgiram das circunstâncias. E algumas só revelaram sua importância muitos anos depois.
Minha relação com a construção civil começou ainda no ensino médio, quando entrei na Escola Técnica.
Curiosamente, Edificações não era minha primeira opção. Eu queria Processamento de Dados. Não consegui a classificação para o curso e acabei entrando em Edificações.
Hoje, fico feliz por isso ter acontecido.
Foi ali que tive contato com desenho técnico, materiais de construção, estruturas e com uma área que acabaria definindo praticamente toda a minha vida profissional.
Depois veio a Engenharia Civil.
A formação técnica me permitiu entrar na universidade já conhecendo parte daquele universo. Durante a graduação, fui monitor, participei de iniciação científica e me aproximei cada vez mais da área de projetos.
No início, minha maior afinidade estava nas instalações hidrossanitárias. Outras áreas, como instalações elétricas e estruturas, me traziam mais insegurança.
Mas a vida profissional me obrigou a ampliar esse campo.
Tive que estudar, assumir novas responsabilidades e enfrentar áreas nas quais inicialmente não me sentia confortável.
Esse processo foi importante porque me fez sair de uma visão muito especializada para uma compreensão mais ampla da engenharia.
De projetista para uma visão de empreendimento
Antes da Plano Consultoria e Projetos, participei de outras experiências empresariais. Fui sócio de duas empresas que acabaram fechando.
Essas experiências também construíram minha trajetória.
Foi nesse período que tive contato mais intenso com equipes multidisciplinares, coordenação de profissionais e projetos envolvendo diversas áreas da arquitetura e da engenharia.
Aos poucos, comecei a perceber uma diferença importante:
um empreendimento não é apenas um conjunto de projetos.
Uma escola, um hospital ou uma obra de infraestrutura depende de várias disciplinas trabalhando de maneira integrada.
Essa percepção passou a orientar também a forma como enxergo a atuação da Plano.
Mais do que simplesmente produzir projetos, nosso papel é ajudar a viabilizar empreendimentos.
Isso significa compreender a necessidade do cliente, integrar diferentes disciplinas, atender às exigências técnicas e buscar soluções que possam efetivamente ser aprovadas, contratadas e executadas.
O projeto precisa chegar a alguém
Trabalhar com obras públicas reforçou ainda mais essa visão.
Existe o cliente que contrata o projeto, mas existe também quem vai viver o resultado dele.
Quando fazemos uma escola, existe um aluno que vai estudar ali.
Quando fazemos uma creche, existem crianças e famílias que utilizarão aquele espaço.
Quando trabalhamos com habitação social, existe uma família que vai morar naquela casa.
Já tive a oportunidade de visitar equipamentos depois de concluídos e ver pessoas utilizando espaços que um dia existiram apenas como projeto.
Isso muda nossa percepção sobre a engenharia.
Um projeto deixa de ser apenas desenho e cálculo.
Existe alguém na ponta que será impactado pelas decisões tomadas durante seu desenvolvimento.
Um exemplo que permanece na minha memória foi o projeto de uma escola em uma região alagadiça no Pará, onde os alunos chegavam de barco e a edificação precisava ser implantada sobre palafitas.
Um contexto completamente diferente exige soluções também diferentes.
Como levar água até aquela escola?
Como resolver o esgotamento?
Como adaptar o projeto às condições reais daquele lugar?
É nesse momento que a engenharia mostra sua função mais importante: transformar uma necessidade concreta em uma solução possível.
Gestão é trabalhar com limites
Com o tempo, meus desafios deixaram de ser apenas técnicos.
Passei a gerenciar pessoas, prazos, custos, riscos e interesses diferentes.
E existe uma realidade que acompanha praticamente todo projeto:
os recursos são limitados.
Não temos tempo ilimitado.
Não temos orçamento ilimitado.
Não temos pessoas ilimitadas.
Mesmo assim, precisamos entregar qualidade.
Na obra pública, isso se torna ainda mais evidente.
O gestor pode ter uma necessidade importante, mas precisa realizá-la dentro do recurso disponível. Por isso, acredito que o papel técnico não é apenas apresentar a melhor solução imaginável, mas encontrar a melhor solução viável dentro daquela realidade.
Um bom projeto público precisa ser tecnicamente adequado, mas também precisa ser possível de aprovar, orçar, licitar e executar.
Só assim ele efetivamente chega à população.
Da prancheta ao BIM
Minha própria carreira também acompanhou uma enorme transformação tecnológica.
Comecei desenhando projetos à mão.
Vi o computador entrar no cotidiano da engenharia.
Depois vieram ferramentas cada vez mais avançadas e hoje trabalhamos com metodologias como o BIM, capazes de concentrar informações que podem acompanhar o empreendimento desde o projeto até sua operação e manutenção.
A tecnologia mudou profundamente nossa maneira de trabalhar.
Mas também aumentou as expectativas.
Hoje precisamos produzir em menos tempo, com maior precisão e maior qualidade.
Isso faz com que o valor do profissional esteja cada vez menos apenas em executar tarefas operacionais e cada vez mais em analisar, coordenar, decidir e encontrar soluções.
No fim, uma carreira também é um projeto
Quando olho para trás, vejo uma sequência de decisões.
Não entrar em Processamento de Dados.
Fazer Edificações.
Escolher Engenharia Civil.
Começar por uma área específica.
Enfrentar aquilo que me dava medo.
Passar por experiências empresariais que não continuaram.
Aprender a coordenar pessoas e disciplinas.
Trabalhar com obras públicas.
Incorporar novas tecnologias.
Cada uma dessas etapas acrescentou alguma coisa.
É por isso que acredito que não construímos apenas edifícios, escolas, hospitais ou infraestrutura.
Construímos conhecimento.
Construímos empresas.
Construímos equipes.
Construímos oportunidades.
E construímos a nós mesmos.
Aquilo que todos enxergam quando fica pronto é apenas a parte visível de inúmeras decisões tomadas muito antes.
Assista ao episódio completo
No episódio, conto com mais detalhes essa trajetória e algumas das decisões que ajudaram a construir minha visão sobre engenharia, projetos, gestão e impacto social.
E acompanhe o Decisões que Constroem, um espaço para conversar sobre as escolhas que transformam projetos, cidades, empresas e pessoas.
Toda construção começa antes da obra. Começa com uma decisão.